segunda-feira, 18 de março de 2013

COMPONENTE DO VINHO PREVINE ENVELHECIMENTO, PROVA PESQUISA DE HARVARD

 
Um novo estudo da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, reuniu provas definitivas que um composto do vinho tinto ativa uma proteína no corpo humano responsável por promover a longevidade. A má notícia é que seriam precisos cem copos para chegar às melhoras obtidas pelas cobaias.
A pesquisa indica, ainda, que uma nova geração de fármacos com propriedades semelhantes às da bebida alcoólica poderá ser usada para tratar e prevenir doenças relacionadas ao envelhecimento humano. Esse grupo de drogas, por enquanto, está em testes clínicos.
David Sinclair, coautor do artigo publicado na revista Science, afirma que mais pesquisadores devem investir no estudo de proteínas como a SIRT1, só que sintéticas, já que a bebida está longe de ser a fonte ideal da juventude.
“O vinho tinto tem poucos miligramas do resveratrol, bem abaixo dos níveis dados aos ratos durante os testes pré-clínicos. É preciso beber, ao menos, cem copos para chegar ao mesmo nível que ajudou a melhorar a saúde das cobaias; é a razão principal para investir em drogas sintéticas e poderosas.”
O grupo desvendou o mecanismo molecular de interação do resveratrol – um composto natural encontrado na casca das uvas, assim como no amendoim e nas frutas vermelhas – e a SIRT1, proteína que “recarrega” as baterias do corpo ao acelerar as mitocôndrias, organelas que produzem os radicais livres (moléculas instáveis que atacam as proteínas do DNA dentro do nosso corpo).
“Nós descobrimos um aminoácido na SIRT1 que media essa ativação da proteína com outras moléculas pequenas, tanto no laboratório, quanto nos organismos vivos”, explica Sinclair. “Esse aminoácido foi usado por todos os compostos testados – 118 ao todo, incluindo o resveratrol – para ligar a SIRT1.”
Fim da Polêmica – Desde 2006, alguns estudos científicos passaram a suspeitar da eficácia do composto do vinho tinto no combate ao envelhecimento, sugerindo que a ativação da SIRT1 acontecia artificialmente – ou seja, a reação não ocorria normalmente dentro do nosso organismo e poderia ser induzida só em laboratório.
As dúvidas surgiram, diz o pesquisador, quando moléculas sintéticas e fluorescentes foram usadas para evidenciar esse processo in vitro – elas indicavam o trajeto das proteínas, por exemplo. Mas quando elas eram retiradas, a SIRT1 não “ligava” mais e os estudos cravaram que a ativação era casual.
Para por fim à polêmica, o grupo de Sinclair resolveu estudar o efeito dessas moléculas sintéticas no corpo e descobriu que elas simulavam a ação de um grupo de aminoácidos e atrapalhavam o funcionamento da SIRT1 – ela só voltava a funcionar, quando o resveratrol substituía as moléculas fluorescentes. 

MARTE PODE TER TIDO CONDIÇÕES PARA VIDA NO PASSADO, AFIRMA NASA

 
A análise de uma amostra de rocha pelo robô Curiosity encontrou evidências de que Marte pode ter sido ambiente propício para a vida microbiana em eras passadas, afirmou a agência espacial americana (Nasa) nesta terça-feira (12).
Cientistas descobriram nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo, carbono e enxofre, alguns dos elementos essenciais para a presença da vida, em uma amostra de rocha sedimentar coletada e triturada pelo Curiosity em Marte.
A rocha foi obtida pelo robô durante perfuração em uma área conhecida como Baía Yellowknife, que em um passado remoto abrigou água, sendo um lago ou rio marciano, segundo a Nasa. Esta região pode ter dado, no passado, as condições e os elementos químicos necessários para o surgimento de micro-organismos.
“Uma questão fundamental desta missão [Curiosity] é entender se Marte pode ter sido um ambiente propício para a vida”, disse o cientista Michael Meyer, chefe do Programa de Exploração de Marte da Nasa. “Pelo que sabemos agora, a resposta é sim.”
Uma nova amostra de rochas vai ser obtida por uma nova perfuração do Curiosity, para confirmar os resultados.
“Está em evidência um período muito antigo, mas estranhamente diferente para nós, de que Marte já teve condições favoráveis para a vida em algum momento”, disse o cientista John Grotzinger, ligado ao Instituto de Tecnologia da Califórnia e à Nasa.

RELATÓRIO DA ONU PREVÊ ‘CATÁSTROFE AMBIENTAL’ NO MUNDO EM 2050

 
 

Apesar dos investimentos de vários países em energias renováveis e sustentabilidade, o mundo pode viver uma “catástrofe ambiental” em 2050, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2013, apresentado nesta quinta-feira (14) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Ao fim dos próximos 37 anos, são estimadas mais de 3 bilhões de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza, das quais pelo menos 155 milhões estariam na América Latina e no Caribe. E essa condição demográfica e social seria motivada também pela degradação do meio ambiente e pela redução dos meios de subsistência, como a agricultura e o acesso à água potável.
De acordo com a previsão de desastre apresentada pelo relatório, cerca de 2,7 bilhões de pessoas a mais viveriam em extrema pobreza em 2050 como consequência do problema ambiental. Desse total, 1,9 bilhão seria composto por indivíduos que entraram na miséria, e os outros 800 milhões seriam aqueles impedidos de sair dessa situação por causa das calamidades do meio ambiente.
No cenário mais grave, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global diminuiria 15% em 2050, chegando a uma redução de 22% no Sul da Ásia (Índia, Paquistão, Sri Lanka, Nepal, Bangladesh, Butão e Maldivas) e de 24% na África Subsaariana (todos os países ao sul do Deserto do Saara).
Mudanças Climáticas e Pressões – As mudanças climáticas e as pressões sobre os recursos naturais e ecossistemas têm aumentado muito, independentemente do estágio de desenvolvimento dos países, segundo o relatório. E o texto também destaca que, a menos que sejam tomadas medidas urgentes, o progresso do desenvolvimento humano no futuro estará ameaçado.
O Pnud aponta, ainda, que os protestos em massa contra a poluição ambiental têm crescido em todo o mundo. Por exemplo, manifestantes em Xangai, na China, lutaram por um duto de águas residuais (provenientes de banhos, cozinhas e uso doméstico em geral) prometido, enquanto na Malásia moradores de um bairro se opuseram à instalação de uma refinaria de metais de terras raras – 17 metais conhecidos como “ouro do século 21″, por serem raros, valiosos e de grande utilidade.
O relatório reforça também que as principais vítimas do desmatamento, das mudanças climáticas, dos desastres naturais e da poluição da água e do ar são os países e as comunidades pobres. E, para o Pnud, viver em um ambiente limpo e seguro deve ser um direito, não um privilégio. Além disso, sustentabilidade e igualdade entre os povos estão intimamente ligadas.
Desastres Naturais em Alta – Além disso, de acordo com o texto divulgado nesta quinta-feira, os desastres naturais estão se intensificando em todo o mundo, tanto em frequência quanto em intensidade, causando grandes danos econômicos e perdas humanas.
Apenas em 2011, terremotos seguidos de tsunamis e deslizamentos de terra causaram mais de 20 mil mortes e prejuízos aos EUA, somando US$ 365 bilhões (R$ 730 bilhões) e 1 milhão de pessoas sem casas.
O impacto mais severo foi para os pequenos países insulares em desenvolvimento, alguns dos quais sofreram perdas de até 8% do PIB. Em 1988, Santa Lucía – localizado nas Pequenas Antilhas, no Caribe – perdeu quase quatro vezes seu Produto Interno Bruto (PIB) por causa do furacão Gilbert, enquanto Granada – outro país caribenho – perdeu duas vezes o PIB em decorrência do furacão Iván, em 2004.
Desafios Mundiais – O relatório do Pnud ressalta, ainda, que os governos precisam estabelecer acordos multilaterais e formular políticas públicas para melhorar o equilíbrio das condições de vida, permitir a livre expressão e participação das pessoas, administrar as mudanças demográficas e fazer frente às pressões ambientais.
Um dos grandes desafios para o mundo, segundo o texto, é reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Apesar de os lançamentos de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera parecerem aumentar com o desenvolvimento humano, essa relação é muito fraca, destaca o Pnud. Isso porque, em todos os níveis de IDH, alguns países equivalentes têm uma maior emissão de CO2 que outros.
Além disso, pode haver diferenças grandes entre as províncias ou estados de um mesmo país, como é o caso da China. Esses resultados, de acordo com o relatório, reforçam o argumento de que o progresso humano não demanda um aumento no uso de CO2, e que políticas ambientais melhores poderiam acompanhar esse desenvolvimento.
Segundo o Pnud, alguns países já têm se aproximado desse nível de desenvolvimento, sem exercer uma pressão insustentável sobre os recursos ecológicos do planeta. Mas responder globalmente a esse desafio exige que todas as nações adaptem suas trajetórias.
Os países desenvolvidos, por exemplo, precisam reduzir a chamada “pegada ambiental”, ou seja, quanto cada habitante polui o planeta (como se fosse um PIB do meio ambiente). Já as nações em desenvolvimento devem aumentar o IDH, mas sem elevar essa pegada. Na visão do Pnud, tecnologias limpas e inovadoras podem desempenhar um papel importante nesse processo.
Mas, para reduzir a quantidade necessária de emissões de gases de efeito estufa, os países dos hemisférios Norte e Sul têm que chegar a um acordo justo e aceitável para todos, como compartilhar as responsabilidades, informa o relatório.
Acordos e Investimentos – Na Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em junho de 2012, foi negociado entre os governos da região da Ásia e do Pacífico um acordo para proteção do maior recife de corais do mundo, o chamado Triângulo de Coral, que se estende desde a Malásia e a Indonésia até as Ilhas Salomão. A área é responsável por fornecer o sustento para mais de 100 milhões de pessoas.
Além disso, alguns países estão trabalhando juntos na bacia do Rio Congo para combater o comércio ilegal de madeira e preservar o segundo maior território florestal do mundo. Bancos regionais de desenvolvimento também apresentaram uma iniciativa que conta com US$ 175 bilhões (R$ 350 bilhões) para promover o transporte público e ciclovias em algumas das principais cidades do mundo.
Outra parceria envolve a China e o Reino Unido, que vão testar tecnologias avançadas de combustão de carvão. Já os EUA e a Índia firmaram um acordo para o desenvolvimento de energia nuclear na Índia.
Alguns países também estão desenvolvendo e compartilhando novas tecnologias verdes. A China, o quarto maior produtor de energia eólica do mundo em 2008, é também a maior fabricante global de painéis solares e turbinas para geração de energia pelo vento. E, na Índia, os investimentos em energia solar aumentaram 62% em 2011, chegando a US$ 12 bilhões (R$ 24 bilhões) – os maiores do planeta. Já o Brasil elevou seus investimentos tecnológicos para energias renováveis em 8%, chegando a US$ 7 milhões (R$ 14 milhões).
Promessas – Até 2020, a China também prometeu cortar suas emissões de dióxido de carbono por unidade de PIB em 40% a 45%. E, em 2010, a Índia anunciou reduções voluntárias de 20% a 25%. Além disso, no ano passado, políticos coreanos aprovaram um programa para reduzir as emissões de fábricas e usinas de energia.
Na Rio+20, Moçambique anunciou ainda uma nova rota de economia verde. E o México promulgou recentemente uma lei para reduzir as emissões de CO2 e apostar em energias renováveis.
No Fórum de Bens de Consumo da Rio+20, as empresas Unilever, Coca-Cola e Wal-Mart – classificadas entre as 20 melhores multinacionais do mundo – também prometeram eliminar o desmatamento de suas cadeias de abastecimento.
Além disso, a Microsoft prometeu que em 2012 se tornaria nula em emissões de carbono. E a companhia Femsa, que engarrafa bebidas – como a Coca-Cola – na América Latina, manifestou que obteria 85% de suas necessidades energéticas no México a partir de recursos renováveis.
Mas, apesar de muitas iniciativas promissoras, ainda existe ainda uma grande diferença entre as reduções de emissões necessárias e essas modestas promessas, destaca o Pnud.

sábado, 9 de março de 2013

FUNDAÇÃO GATES E GOVERNO VÃO FINANCIAR PESQUISAS SOBRE PREMATUROS

 
A Fundação Bill e Melinda Gates e o governo brasileiro vão oferecer US$ 8 milhões (R$ 16 milhões) para financiar estudos sobre bebês prematuros no Brasil, anunciaram nesta terça-feira (26) fontes oficiais durante um encontro internacional de cientistas no Rio de Janeiro.
As soluções sugeridas pelos responsáveis dos estudos no Brasil, como possíveis vacinas, programas de prevenção e métodos de diagnósticos, serão estendidas a outros países com a ajuda da fundação criada pelo controlador da Microsoft.
A associação entre a fundação patrocinada pelo milionário americano e o governo brasileiro tem por objetivo a busca de soluções para reduzir os índices de prematuros entre os nascidos no Brasil, afirmou o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde do Brasil, Carlos Gadelha.
Segundo estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 10,5% dos bebês brasileiros nascem prematuramente.
Gadelha calculou que os recursos, que serão concedidos em partes iguais pela Fundação e o governo servirão para financiar pelo menos 20 projetos, que serão escolhidos através de um concurso público.
Os porta-vozes da fundação afirmaram que a entidade está negociando acordos para financiar outras pesquisas científicas que possam ajudar a combater a pobreza tanto no Brasil como em outros países em desenvolvimento.
O anúncio da associação foi realizado na VII Conferência de Rede Global de Academias de Ciências (IAP), que terminou nesta terça-feira (36) no Rio de Janeiro após três dias de debates.
O encontro, realizado pela primeira vez no Brasil e do qual participaram representantes de academias de ciências de 106 países, tratou precisamente sobre o uso da ciência para erradicar a pobreza.
Segundo Gadelha, a associação decidiu concentrar os esforços em estudos sobre bebês prematuros depois que diferentes debates da comunidade científica brasileira assinalaram este como um dos principais problemas da saúde pública no Brasil.
“A principal causa da mortalidade de crianças de até um mês é o parto prematuro. Uma criança prematura sofre grande risco de ter outros problemas ao longo da vida. Foi por isso que escolhemos o tema para a associação com a Fundação Bill e Melinda Gates”, disse.
O funcionário acrescentou que o resultado dos estudos realizados no Brasil beneficiará muitos outros países devido “às complicações relacionadas ao nascimento prematuro serem a primeira causa de mortalidade neonatal e a segunda causa de morte entre crianças menores de cinco anos no mundo todo”.
O ministro brasileiro de Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, aproveitou no domingo a abertura do encontro das academias de ciências para propor a criação de uma comissão científica internacional que se dedique exclusivamente a desenvolver projetos de combate à pobreza.
“Se o conhecimento científico se tornou um recurso imprescindível para a geração de riqueza, e se a ciência amplia suas competências cada vez mais rápido, então podemos concluir que poderemos sim erradicar a pobreza e promover o desenvolvimento sustentável com o uso da ciência”, segundo o ministro.
Segundo Raupp, a proposta de criação da comissão poderá ser feita pelas 106 academias de ciências que integram a rede perante a Organização das Nações Unidas (ONU). 

BIODIESEL PRODUZIDO POR CIANOBACTÉRIAS RENDE QUASE MIL VEZES MAIS DO QUE O DE MILHO, APONTA PESQUISA DA USP

As cianobactérias – organismos unicelulares fotossintetizantes – são uma opção econômica e viável para a produção de biodiesel, segundo pesquisa da USP (Universidade de São Paulo). Um hectare de milho produz 168 litros de biodiesel, o equivalente ao mesmo hectare de cianobactérias produziria 140 mil litros do cianodiesel. Além disso, em seu cultivo, podem ser utilizadas águas residuais e marinhas, por isso não há necessidade de terra cultivável, o que não interfere na produção de alimentos.
O que é ? – As cianobactérias são organismos microbianos de aplicações biotecnológicas variadas e de potencial de desenvolvimento ilimitado. Elas são unicelulares e produzem seu próprio alimento, dependendo apenas de água, dióxido de carbono, substâncias inorgânicas e luz (fotossintetizantes).
O cianodiesel é produzido com o lipídeo extraído desses organismos, que se multiplicam facilmente em meio aquoso em colônias, além de serem tolerantes a variações salinidade, temperatura e até mesmo poluição. Existem muitas linhagens de cianobactérias, inclusive algumas tóxicas, como as algas azuis que comprometem a qualidade da água de vários reservatórios, como a Represa Billings, em São Paulo. Na pesquisa não foram utilizadas espécies toxicas.
A pós-doutoranda Caroline S. Pamplona da Silva, que participou do projeto, disse que foram avaliadas várias linhagens e duas apresentaram resultados bastante promissores. “Os óleos dessas duas linhagens com características químicas adequadas foram testados na síntese de biodiesel comercialmente aceito. No entanto, a produção de biomassa em larga escala ainda é um desafio”, afirmou ela.
A utilização de cianobactérias na produção de biodiesel tem várias vantagens, como diminuir a pressão sobre outras matérias-primas, como o milho, sorgo, soja, mamona e girassol, que são fontes de alimentação mundial.
Caroline disse ainda que a necessidade nutricional das células de cianobactérias é simples; o período de produção de biomassa é curto e a concentração de óleo pode chegar a 50% da biomassa seca; menos emissões e contaminantes do que o combustível derivado do petróleo; o gás carbônico emitido pelas indústrias pode ser usado como fonte de carbono para seu cultivo e, quando cultivadas em sistemas contínuos, podem ser colhidas diariamente.
A professora Heizir Ferreira de Castro disse que as cianobactérias são mais uma opção para a produção do biodiesel, mas não são “a salvação da lavoura”, ou seja, não podem substituir totalmente as outras matrizes. “Seriam uma opção porque têm maior produtividade. Nós retiramos o óleo vegetal delas e transformamos como se fosse qualquer outro óleo”, disse ela.