quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

CIENTISTAS ESPANHÓIS CRIAM VACINA QUE CONTROLA HIV TEMPORARIAMENTE





Cientistas espanhóis desenvolveram uma vacina que permite controlar temporariamente o vírus da Aids em pacientes infectados.
“O que fizemos foi dar instruções ao sistema imunológico para que ele aprenda a destruir o vírus que, na infecção natural, não conseguiu”, explicou Felipe García, que integra o grupo de pesquisadores do hospital Clinic de Barcelona, responsável pela descoberta.
Em testes feitos com pacientes, a vacina conseguiu controlar temporariamente a replicação viral do HIV, com redução da carga superior a 90%. Essa situação é similar à resposta obtida com terapia de medicamentos antirretrovirais, segundo comunicado do hospital Clinic.
No entanto, a vacina só consegue controlar o vírus da Aids por um ano, no máximo. Depois disso, os doentes precisam voltar a tomar remédios antirretrovirais. Por essa razão, a equipe vai trabalhar para combinar essa dose com outras medidas.
Apesar disso, a vacina representa um avanço no controle da doença sem os antirretrovirais usados agora e que precisam ser tomados por toda a vida.
“Não chegamos lá, mas estamos perto”, disse nesta quarta-feira (2) o chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Clinic, Josep Maria Gatell, que chefiou a equipe.
“Na Aids, falamos de preto ou branco, temos que conseguir a cura funcional – controlar o vírus sem antirretrovirais por toda a vida – como passo para a erradicação”, acrescentou Gatell, durante entrevista coletiva.
“No futuro, haverá que melhorar a vacina e possivelmente combiná-la com outra terapia. Chegar até aqui nos custou sete anos e, nos próximos três ou quatro, trabalharemos nessa direção”, insistiu Gatell.

PESQUISA CRIA PORCO TRANSGÊNICO COM COLESTEROL ALTO DE NASCENÇA




Uma pesquisa acaba de mostrar que porcos podem desenvolver colesterol e aterosclerose (doença que causa o entupimento de artérias).
O estudo foi conduzido por Rozh Al-Mashhadi, da Univesidade de Aarhus, na Dinamarca, e colegas, que utilizaram uma enzima para criar porcos com hipercolesterolemia familiar, uma doença genética que predispõe as pessoas a terem altos níveis de LDL – o colesterol ruim.
Os pesquisadores inseriram nos porcos uma forma modificada do gene PCSK9, encontrado em pessoas com níveis altos de colesterol, e descobriram que, quando os porcos eram alimentados com comidas muito gordurosas, o gene modificado impedia o colesterol –especialmente o LDL– de sair da corrente sanguínea dos animais, causando aterosclerose.
Entretanto, mesmo quando os porcos foram alimentados com alimentos com baixos níveis de gordura, eles apresentaram níveis muito mais altos de LDL do que porcos normais.
O estudo poderá ajudar na pesquisa de novas terapias para hipercolesterolemia, aterosclerose e doenças do coração, além do desenvolvimento de técnicas capazes de visualizar a aterosclerose dentro do corpo. 

ESTUDO APONTA NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE RESISTÊNCIA DAS BACTÉRIAS




 

Pesquisadores refutaram uma teoria defendida há muito tempo sobre como algumas bactérias sobrevivem aos antibióticos e abriram as portas para novos tratamentos para combater as bactérias resistentes, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (3) nos Estados Unidos.
Utilizando uma técnica chamada “microfluidos”, os cientistas revelaram que, ao contrário da explicação existente há mais de 50 anos, a bactéria resistente continua se dividindo e crescendo e, que, às vezes, morre. A velha teoria indicava que as bactérias que sobreviviam eram aquelas individuais que paravam de crescer e de se dividir.
“A população bacteriana que persiste, no entanto, é muito dinâmica, e as células que a constituem estão em constante mutação, apesar de o número total de células se manter”, explicou o microbiólogo Neerak Dhar.
Esta é uma informação crucial, enfatizam os autores do estudo, e poderá ajudar os cientistas a desenvolver novas terapias para cepas bacterianas mais difíceis de combater, como a tuberculose multirresistente.
“Uma população geneticamente idêntica se compõe de bactérias individuais com um comportamento amplamente variável”, afirmou o pesquisador que liderou o trabalho, John McKinney.
Procedimento Científico – Os pesquisadores da Escola Politécnica Federal Suíça, em Lausanne, estudaram uma bactéria relacionada com outra causadora da tuberculose e a submergiram em um fluido que continha isoniácidos, um agente que acaba com essa doença.
Então descobriram que a bactéria produzia apenas uma enzima chamada de KatG, necessária para o antibiótico trabalhar contra ela, de uma forma intermitente. O fato de quando e como a bactéria deixa de se dividir não está relacionado de maneira estreita com o momento em que ela morre, afirmaram os cientistas. No entanto, a sobrevivência da bactéria em qualquer momento é determinada pelo fato de produzir ou não a enzima em questão.
Como em algum momento certas bactérias não produziam esta enzima, a população inteira de bactérias era capaz de sobreviver. Futuras pesquisas se centrarão em outros micróbios, incluindo a bactéria que causa a tuberculose e a Escherichia coli, assim como, de forma diferente, em certas células cancerígenas que resistem ao tratamento.
“Este é um novo enfoque para tentar decifrar por que algumas infecções são tão difíceis de eliminar”, afirmou McKinney, assegurando que as técnicas já estão em uso em colaboração com empresas farmacêuticas, para desenvolver novos antibióticos.

NORMA RESTRINGE USO DE DEFENSIVO AGRÍCOLA QUE AFETA ABELHAS


O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicaram nesta sexta-feira (4) uma norma que restringe o uso de defensivos agrícolas com quatro tipos de ingredientes ativos.
O uso de agrotóxicos com imidacloprido, clotianidina, tiametoxan e fipronil está vetado durante o período da floração das culturas, independentemente da tecnologia utilizada. A única exceção é a safra 2012/13 de algodão.
Essas substâncias são inseticidas, e a decisão levou em consideração o efeito que essas substâncias provocam sobre as abelhas. Os insetos têm uma função importante na agricultura, pois espalham o pólen pelo campo, o que é essencial para a reprodução das plantas.
Para as demais épocas, a nova norma impõe uma série de especificações técnicas que os agricultores terão de seguir para usar os defensivos. Os produtores só poderão aplicá-los por via terrestre, exceto nas plantações de de algodão, soja, cana-de-açúcar, arroz e trigo, quando a forma terrestre for inviável. A regulamentação entrou em vigor já nesta sexta-feira.
 

DESEQUILÍBRIOS ECONÔMICOS E AMBIENTAIS CRIAM CENÁRIO PESSIMISTA



 

Os desequilíbrios econômicos e tributários e o aumento das emissões de gases do efeito estufa são os grandes riscos globais que o mundo enfrentará na próxima década, um cenário mais pessimista que o revelado no ano passado, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (8) pelo Fórum Econômico Mundial.
O relatório Riscos Globais 2013, que o Fórum publica às vésperas de sua cúpula anual de Davos, na Suíça, conta com a opinião de diversos especialistas e líderes políticos, que concordam, em linhas gerais, que as perspectivas econômicas, sociais e econômicas “são levemente mais pessimistas” que em 2012.
Eles refletem sua preocupação pelo impacto das crises de dívida soberana como a que atinge a zona do euro e pela falta de perspectivas positivas sobre o aquecimento global. Neste sentido, todos consideram que o risco global cuja materialização é mais provável nos próximos 10 anos é uma consolidação das “graves diferenças de renda” e que a pior possibilidade é “uma grande falha sistêmica do sistema financeiro”.
Outros dois riscos aparecem entre os cinco de maior impacto e mais prováveis: os desequilíbrios fiscais crônicos e uma crise de abastecimento de água por causa da mudança climática.
“Estes riscos globais são essencialmente uma advertência sobre a força de nossos sistemas e serviços básicos. A capacidade de resistência das nações frente aos riscos globais tem que ser uma prioridade para que esses sistemas e serviços continuem funcionando se ocorrer um evento grave”, declarou Lee Howell, diretor do relatório e diretor-executivo do Fórum.
Axel P. Lehmann, diretor de riscos da seguradora Zurique Insurance Group, citou como exemplo “o crescente custo de fenômenos como a supertempestade Sandy”, o que, na sua opinião, é uma evidência das “enormes ameaças” sofridas por países insulares e litorâneos. “A advertência sobre a falta de soluções às emissões de gases do efeito estufa é evidente. É hora de agir.”
Tempestades Econômica e Ambiental – Os especialistas insistem no relatório que os graves riscos socioeconômicos dos últimos cinco anos “estão destruindo os esforços de enfrentar os desafios da mudança climática”.
“A comunidade internacional se mostra reticente a enfrentar uma ameaça a longo prazo como esta, apesar dos recentes fenômenos meteorológicos extremos”, diz o relatório, que defende “novos enfoques” e “investimentos estratégicos” para evitar as hipóteses mais desfavoráveis para a economia e o meio ambiente.
“Duas tempestades, a ambiental e a econômica, estão em rota de colisão. Se não alocarmos os recursos necessários para diminuir o crescente risco de fenômenos meteorológicos extremos, a prosperidade mundial das futuras gerações poderá ser ameaçada”, argumenta John Drzik, diretor-executivo da empresa de consultoria Oliver Wyman Group.
David Cole, diretor de riscos do grupo segurador Swiss Re, diz que, “infelizmente, a luta contra a crise econômica e a crise da mudança climática já não é considerada um só assunto, já se mostra necessário escolher entre uma ou outra”.
“A ideia de que não podemos encontrar soluções para ambas ganhou força”, argumenta Cole.O documento adverte também para a “complacência” do sistema no campo médico pelos grandes avanços obtidos nas últimas décadas e cita como um dos maiores riscos “a crescente resistência aos antibióticos”, o que “poderia levar nossos sistemas de saúde (…) à beira do colapso”.
Em seu conjunto, o relatório descreve 50 riscos globais – que são agrupados em categorias econômicas, ambientais, geopolíticas, sociais e tecnológicas -, e seus resultados refletem que os mais jovens estão mais preocupados que os mais velhos e que as mulheres são mais pessimistas sobre o futuro do que os homens.
O relatório destaca igualmente os chamados “fatores X”: novas preocupações que pedem um maior estudo, como o uso não ético da geoengenharia e das tecnologias que alteram o cérebro.