sábado, 9 de março de 2013

APESAR DE AVANÇOS, CURA DA AIDS PARA MAIORIA ‘AINDA ESTÁ LONGE’

 Médicos dos Estados Unidos conseguiram o que está sendo chamado de cura “funcional” do vírus HIV em uma criança de 2 anos. De acordo com os americanos, uma menina soropositiva do Estado do Mississippi (sul do país) não demonstra sinais de infecção pelo vírus após deixar o tratamento por cerca de um ano.
A cura livrou a criança de uma vida que seria marcada pelo alto consumo de medicamentos, o preconceito e o dilema de contar a amigos e familiares sobre a doença. Mas, além da história de triunfo dos médicos, surge uma grande questão: esta descoberta coloca o mundo mais perto de uma cura para a aids?
No caso da garota americana existem circunstâncias especiais: os médicos conseguiram atingir o vírus muito cedo e com muita força. Isto não é possível em adultos, que descobrem que contraíram pelo HIV meses e até anos depois da contaminação, quando o vírus já está completamente estabelecido.
Também não se sabe ainda como o sistema imunológico de um bebê recém-nascido pode afetar o tratamento. Bebês conseguem grande parte da sua proteção contra doenças a partir do leite materno.
Uma coisa é certa – esta abordagem não irá curar a grande maioria dos portadores do vírus. O que levanta a dúvida: haverá um dia esperança para os que vivem há décadas com o HIV?
Tratamento – O vírus da aids não é mais o assassino que costumava ser. Ele apareceu primeiro na África no começo do século 20 e se transformou em um problema de saúde global na década de 1980. Nos primeiros anos da epidemia, não havia tratamento.
O vírus matou mais de 25 milhões de pessoas nas últimas três décadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A partir da metade da década de 1990 surgiram as terapias com antiretrovirais, e o impacto que tiveram no número de mortes por Aids foi dramático.
As pessoas infectadas com o HIV que têm acesso a esse tratamento podem ter uma expectativa de vida normal, mas nem todas conseguem. Cerca de 70% das pessoas que vivem com o HIV estão na África ao sul do deserto do Saara, onde o acesso aos medicamentos é relativamente limitado.
A busca pela cura continua. “Sempre presumimos que era impossível, mas começamos a descobrir coisas que não sabíamos antes, e (isso) está abrindo uma fenda na blindagem”, disse à BBC o pesquisador John Frater, da Universidade de Oxford.
Escondido – Depois que uma pessoa é infectada pelo HIV, o vírus se espalha rapidamente, infectando células em todo o corpo. Ele se esconde dentro do DNA, onde não será afetado pelas terapias.
Já existem agora medicamentos experimentais para tratamento de câncer que poderiam tornar o vírus mais vulnerável.
“Este é um momento muito animador, mas não é a resposta no mundo atual. Temo que por querer uma cura tão desesperadamente nos esqueçamos das questões de custo e eficiência, que fazem a diferença”, disse Jane Anderson, professora do Hospital Homerton, em Londres
“(O medicamento) ataca o vírus dentro da célula e o deixa visível para o sistema imunológico. Poderemos alcançá-lo com uma vacina”, afirmou Frater.
No entanto, a abordagem requer medicamentos que façam com que o vírus fique ativo e uma vacina que treine o sistema imunológico para acabar com ele. E isso não é algo que está próximo de ser descoberto.
Outro caminho sendo considerado envolve uma mutação rara que faz com que as pessoas fiquem resistentes à infecção. Em 2007, Timothy Ray Brown se transformou no primeiro paciente que teria erradicado o vírus.
Seu sistema imunológico foi destruído como parte de um tratamento de leucemia. Em seguida, ele foi restaurado graças a um transplante de células-tronco de um paciente com a mutação.
Um pouco de engenharia genética também poderia ajudar a modificar o sistema imunológico do próprio paciente, para que ele adquira a mutação protetora. Mas, novamente, esta é uma perspectiva distante.
Medicina Experimental - Para o presidente do programa de vacina da aids da Grã-Bretanha, Jonathan Weber, professor da universidade Imperial College, no sul da Inglaterra, não há um consenso nos tratamentos para os que já estão infectados.
“Para a infecção estabelecida nós temos algumas ideias, mas tudo ainda nos domínios da medicina experimental. Não há um consenso e nenhum caminho claro (a ser seguido)”, afirmou.
Para Weber, uma cura seria a solução para o problema dos gastos, já que dar remédios para as pessoas todos os dias para o resto de suas vidas pode ser muito caro.
A professora Jane Anderson, do Hospital Homerton, em Londres, prefere ser mais cautelosa sobre a possibilidade de uma cura para a Aids depois do caso nos Estados Unidos. “Este é um momento muito animador, mas não é a resposta no mundo atual. Temo que, por querer uma cura tão desesperadamente, nos esqueçamos das questões de custo e eficiência, que fazem a diferença”, afirmou.
Quase todos os casos de transmissão do HIV da mãe para a criança podem ser evitados com medicamentos, com a escolha pela cesariana e evitando que a mãe amamente o filho.
Em adultos, a maioria dos casos de infecção por HIV ocorre como resultado de sexo sem o uso de preservativos. 

TERRA CAMINHA PARA SE TORNAR MAIS QUENTE DO QUE NOS ÚLTIMOS 11.300 ANOS


A Terra caminha para se tornar, nas próximas décadas, mais quente do que nos últimos 11.300 anos, segundo as previsões mais otimistas de emissões de dióxido de carbono (CO2), segundo uma pesquisa publicada nos Estados Unidos.
Com base em análises realizadas em 73 lugares ao redor do planeta, os cientistas conseguiram reconstruir a história das temperaturas terrestres após o fim da era do gelo, por volta de 11.000 anos atrás.
Os cientistas concluíram que os últimos dez anos foram os mais quentes, comparados com 80% dos 11.300 anos passados.
Praticamente todos os modelos climáticos avaliados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) mostram que a Terra será mais quente – não importa em que momento até o fim do século – do que nos 11.300 anos anteriores, segundo as previsões mais factíveis de emissões de gases de efeito estufa.
“Já sabíamos que a superfície da Terra é mais quente hoje do que durante a maior parte dos dois mil últimos anos; agora sabemos que as temperaturas são hoje mais altas do que na maior parte dos últimos 11.300 anos passados… (período) que corresponde ao desenvolvimento da civilização humana”, revelou Shaun Marcott, pesquisador da Universidade Estatal de Oregon (noroeste dos Estados Unidos) e principal autor deste trabalho, publicado na edição de sexta-feira da revista Science.
A história do clima mostra que no curso dos últimos 5.000 anos, a Terra esfriou 0,80 grau Celsius, mas voltaram a subir há 100 anos, particularmente no hemisfério norte, onde há mais extensões de terra e maior concentração populacional.
De acordo com modelos climáticos, a temperatura média global ainda aumentará, em média, entre 1,1 e 6,3 grau Celsius até 2100, dependendo da quantidade de emissões de dióxido de carbono (CO2) procedentes de atividades humanas, informaram os pesquisadores.
“O mais preocupante é que este aquecimento será claramente maior do que qualquer período nos últimos 11.300 anos”, segundo Peter Clark, paleo-climatologista na Universidade Estadual do Oregon e co-autor do estudo.
A posição da Terra com relação ao sol, especificamente sua inclinação, foi o principal fator natural que afetou as temperaturas nos últimos 11.300 anos, explicaram os cientistas.
“Durante o período mais quente do Paleoceno – os 11.000 últimos anos – a Terra estava em uma posição que tornava os verões mais quentes no hemisfério norte”, afirmou Shaun Marcott.
“Com a mudança desta orientação, os verões no hemisfério norte refrescaram e deveríamos estar ainda hoje neste longo período de resfriamento, que não é o caso”, acrescentou.
Todos os estudos concluem que o aquecimento nos últimos 50 anos resulta da atividade humana e não de fenômenos naturais.

CAFEÍNA DEIXA ABELHAS ‘LIGADAS’ E MELHORA POLINIZAÇÃO, DIZ ESTUDO


Cientistas concluíram que as abelhas, assim como os humanos, ficam mais “ligadas” com a cafeína, uma substância que melhora sua memória e as torna melhores polinizadoras, segundo um estudo publicado na revista Science.
Abelhas produtoras de mel alimentadas com uma solução açucarada contendo cafeína, que existe naturalmente no néctar do café e em flores cítricas, demonstraram ser três vezes mais propensas a lembrar do odor de uma flor do que aquelas alimentadas apenas com açúcar.
“Lembrar traços florais é difícil para as abelhas que voam rapidamente de flor em flor, e nós descobrimos que a cafeína as ajuda a lembrar onde estão as flores”, escreveu a professora Geraldine Wright.
“As abelhas alimentadas com néctar contendo cafeína ficam carregadas com pólen de café buscam por outras plantas de café para encontrar mais néctar, o que melhora a polinização”, escreveu a pesquisadora da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, que é especializada em neuroeterologia, o estudo do comportamento animal.
O efeito da cafeína na memória de longo prazo das abelhas foi significativo: três vezes mais abelhas lembraram um aroma floral 24 horas depois e duas vezes mais abelhas lembraram do cheiro após três dias.
Flores Cítricas – A equipe concluiu que o néctar de algumas flores cítricas e de café contêm doses baixas de cafeína. Entre elas estão as espécies de café robusta, que costumam ser usadas para produzir café congelado a vácuo e o arábico, usado para fazer expresso e café filtrado. A toronja e os limões também têm cafeína, segundo o estudo.
“A cafeína é um elemento químico de defesa das plantas e tem um gosto amargo para muitos insetos, incluindo as abelhas, portanto ficamos surpresos em encontrá-la no néctar”, disse Phil Stevenson, coautor do estudo, da Universidade de Greenwich, também no Reino Unido.
“No entanto, ocorre em uma dose que é baixa demais para que as abelhas sintam seu sabor, mas alta o suficiente para afetar seu comportamento”, acrescentou.
“Este trabalho nos ajuda a entender os mecanismos básicos de como a cafeína afeta nossos cérebros. O que vemos nas abelhas poderia explicar porque as pessoas preferem tomar café quando estudam.”
Os cientistas alertaram que o declínio das populações de abelhas e outros insetos polinizadores representa um risco para a biodiversidade e a produção de alguns cultivos.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

MOSCAS-DAS-FRUTAS DÃO ÁLCOOL COMO MEDICAMENTO PARA A PROLE


 
A mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) tem uma relação muito próxima com o álcool liberado pelos alimentos. Cientistas descobriram que as fêmeas deixam os ovos em uma solução alcoólica para proteger a prole do ataque de vespas parasitas. Este tipo de medicamento somado ao fato divulgado em um estudo anterior de que machos rejeitados tendem beber mais álcool torna a espécie uma das mais tolerantes à substância.
A equipe de pesquisadores havia demonstrado anteriormente que as larvas da mosca-da-fruta consomem grande quantidade de álcool tóxico quando são infectadas por parasitas. Porém, com o novo estudo foi possível descobrir que o álcool usado para combater as vespas tinha um componente passado de geração em geração – as fêmeas expunham as larvas à substância cada vez que uma ameaça surgisse.
“Elas se alimentam de fruto fermentado e certamente pertencem a uma das espécies com mais alta tolerância ao álcool, e esta característica é usada como proteção a parasitas”, disse ao iG , Todd Schlenke da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, autor do estudo publicado no periódico científico Science.
Quando sentem a presença de vespas, as moscas-das-frutas depositam os ovos em um ambiente mais alcoólico. Isto porque o álcool protege a prole dos parasitas, já que as moscas são mais tolerantes ao álcool que os parasitas. O resultado é que as moscas são menos infectadas. No longo prazo, as moscas quando adultas, caso sejam infectadas, se curam mais rapidamente.
Os pesquisadores também descobriram que as moscas adultas percebem a presença das vespas por meio da visão. “Moscas que não tinham olfato reagiram normalmente, ou seja, depositaram os ovos em alimentos com mais álcool quando parasitas estavam presentes. Moscas cegas não reagiram à presença dos parasitas”, disse Schlenke.

EXPOSIÇÃO A REPELENTE PODE DEIXAR MOSQUITO DA DENGUE INSENSÍVEL


Pesquisa publicada no periódico científico “PLoS ONE” mostra que mosquitos Aedes aegypti, após serem expostos uma primeira vez ao repelente do tipo DEET, passaram a ignorá-lo algumas horas depois.
Os pesquisadores expuseram os insetos da espécie, conhecida por transmitir a dengue, a uma pequena dose do DEET, um repelente muito usado comercialmente, inclusive no Brasil, e verificaram que, três horas depois, os animais não eram mais repelidos pelos produto.
Uma análise da atividade elétrica das antenas mostrou que há uma correlação entre a exposição ao DEET e uma menor sensibilidade a essa substância nos neurônios dos insetos responsáveis pelo olfato.
Os pesquisadores explicaram que é algo similar ao que acontece no ser humano, que também se acostuma a um cheiro forte após algum tempo. No entanto, como os sistemas olfativos do homem e do Aedes aegypti são muito diferentes, o mecanismo envolvido nesse processo é deve ser distinto.
“Isso não significa que devemos parar de usar repelentes – pelo contrário, o DEET é muito bom repelente, e ainda é recomendado para uso em áreas de alto risco. Contudo, estamos analisando como os mosquitos podem contornar o repelente a as formas pelas quais podemos combater isso”, diz James Logan, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido, um dos autores da pesquisa, segundo nota divulgada pela “PLoS ONE”.
Estudos anteriores já haviam mostrado que insetos podem, individualmente, ser imunes ao DEET, e isso tem uma base genética. No caso do efeito analisado neste estudo, trata-se de um mecanismo de curto prazo, não de alguma alteração nos genes.